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Resolvendo problemas e vendendo ideias

Volta e meia o acaso nos favorece e acabamos esbarrando em alguma informação que nos ajuda a resolver os problemas do nosso cotidiano. Meio que sem querer, esta semana encontrei o incrível material do Dan Roam, chamado de The Back Of The Napkin (algo como “o verso do guardanapo”, em bom português brasileiro).

O livro promete ajudar as pessoas na “resolução de problemas” e a “vender ideias”, tudo isto com a simples utilização de “figuras”. Parece coisa do nosso velho conhecido Adams Óbvio, não é? Todos que trabalham na área de Marketing e Comunicação sabem que uma boa apresentação de projeto deve ser sempre ricamente ilustrada, com a intenção de facilitar o entendimento da mensagem a que se propõe passar.

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Capa do livro TBOTN, de Dan Roam. Clique na imagem acima para acessar o site do autor.

 

E foi mais ou menos isto que Mr. Roam fez: pegou algo que é consenso geral, que todos nós sabemos que funciona, fragmentou e transformou em um técnica interessantíssima que pode ser facilmente utilizada por qualquer um que precise acelerar a geração de ideias ou fazer uma apresentação de forma clara e com fácil entendimento por parte da audiência.

Várias sãos as dicas apresentadas no livro. Mas a essência da tese de Roam está baseada na aplicação de quatro ferramentas que o próprio autor disponibiliza de forma gratuita em seu site:

  1. A caixa de ferramentas do Visual Thinking;
  2. O Codex;
  3. O SQVID (Simple, Quality, Vision, Individual e Delta (percentual de variação, ou Change);
  4. A regra do <6><6>.

Para o autor, a utilização destes recursos auxilia no desenvolvimento da habilidade denominada por ele de “visual thinking” (pensamento visual), pois o sentido da visão facilita a interpretação de dados e nos permite acessar toda uma gama de possibilidades e novas ideias. Clique AQUI para fazer o download de um arquivo PDF com uma compilação feita por mim, que contém estas quatro ferramentas.

O assunto rende muitas ideias, aplicações e pode ter diversos desmembramentos. O livro é fácil de encontrar em qualquer boa livraria brasileira e não é dos mais caros. Sugiro dar uma boa conferida. Vale o investimento! #ficadica

A verdade nua e crua de Oliviero Toscani

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A fala agitada, característica de todo bom italiano, e as opiniões incisivas de Oliviero Toscani sempre o levaram a ficar no centro das mais diversas polêmicas. Suas críticas fortes e controversas são refletidas diretamente em seu trabalho e divertem a muitos, agradam a poucos e incomodam a grande maioria.

Toscani tem propriedade para opinar sobre o que acontece no meio jornalístico e publicitário. Filho do primeiro repórter fotográfico do jornal italiano Corriere Della Sera, cresceu envolvido por um ambiente repleto de informações e questionamentos. Por influência do pai, começou a fotografar muito cedo, aos oito anos de idade, e mais tarde enveredou para o caminho da Publicidade, sendo internacionalmente reconhecido pelas belas, provocativas e polêmicas campanhas criadas para a Benetton.

OK… Mas e qual o motivo do post?

O motivo é que recentemente a GloboNews apresentou uma entrevista realizada pelo jornalista Roberto D´Avila, onde Toscani novamente colocou o dedo na ferida de muitos publicitários:

“[As agências] Fazem pesquisa de mercado para descobrir que camundongo gosta de queijo. As agências de publicidade são uma grande farsa. Tudo o que eu faço é novo. Não faço um trabalho baseado na experiência, não é interessante.
A criatividade nasce de ações inseguras. Na insegurança máxima, você consegue atingir o máximo de criatividade. Se ficar na esfera do seguro, fará mediocridades”

Incomoda ler isto, né? A verdade geralmente tem este efeito sobre nós… Para quem quiser formar uma opinião melhor sobre esta grande figura da nossa geração, recomento assistir a entrevista completa. Basta clicar na imagem abaixo e informar o seu código de assinante de uma das operadoras do canal GloboNews:

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Não vou transcrever todas as falas dele aqui, mas só para deixar mais uma inquietação no ar, encerro com outra frase sensacional:

“O talento é como uma planta, uma flor. Normalmente é cortado logo cedo, pela mãe ou pelo pai, pela escola ou pela religião, pela educação ou pela sociedade. Mas você pode cultivar. Você tem que acreditar nele, é como uma voz que fala com você. Observei que os grandes artistas podem até ter um comportamento meio presunçoso, soberbo. Mas na realidade não é assim, porque quando tentam fazer alguma coisa eles se tornam extremamente modestos. Escutam essa voz.

Algumas palavras sobre o design atual. Ou: “Fique com o cardume.”

Faz um tempinho que alguém me pediu para escrever um texto sobre o design da atualidade. Não lembro bem se era para um site ou algum trabalho acadêmico. O fato é que resolvi compartilhar abaixo, com vocês, minha opinião sobre o assunto:

Nunca sei ao certo o que dizer sobre “atualidade”. Na minha opinião, a tendência, aquilo que está “na moda”, é o que costumamos definir por atualidade. E ela é cíclica e autofágica, pois se alimenta de si mesma.

Sempre que penso sobre isso, a imagem que me vem a mente é a de um imenso cardume de peixes nadando em círculos. Daqueles que costumamos ver nos documentários da NatGeo ou do Discovery. Eles nadam, nadam e sempre voltam ao mesmo lugar. Quando um deles vê algo novo ou pressente o perigo se aproximando, muda de rumo. O resto do cardume, mesmo sem saber exatamente o motivo, acaba seguindo. Acho que o instinto de sobrevivência acaba falando mais alto.

O bom design, aquele que realmente vale a pena cultuar e deve ser reverenciado, este é atemporal. Foi e sempre será bom, independentemente da época e da tendência atual. Sérgio Rodrigues criou a poltrona Mole em 1957 e o projeto ainda é atual. Van Der Rohe e a Barcelona estão em alta desde 1929. Niemeyer está aí, insistentemente, até hoje.

O ponto onde quero chegar é o seguinte: para se perpetuar, para ficar na memória das pessoas, é preciso ser arrojado, diferente e ter consistência. Muita consistência. Se for para nadar com o cardume, que seja na frente.

Todos bebem da mesma fonte

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A comprovação máxima de que todos acabam saciando sua sede por novidades nos mesmos lugares é esta imagem acima. Só hoje eu a encontrei em quatro sites diferentes. Sites bons, legais, gringos, que servem de pesquisa para milhares (ou seriam milhões?) de criativos espalhados pelo mundo.

Aí é que começa a minha preocupação. Se todos bebem na mesma fonte, quais são as probabilidades de que ideias semelhantes nasçam a partir daí? Eu diria que são grandes. Muito grandes.

Não me espantaria nada se daqui a uns quinze dias eu abrisse um portal de propaganda e desse de cara com um anúncio que tivesse algum tipo de vínculo com esta peça. E depois outro. E outro… Talvez sejam assim que nasçam as tão famosas e temidas “coincidências” ou “convergências criativas”. Ou não?