Algumas palavras sobre o design atual. Ou: “Fique com o cardume.”

Faz um tempinho que alguém me pediu para escrever um texto sobre o design da atualidade. Não lembro bem se era para um site ou algum trabalho acadêmico. O fato é que resolvi compartilhar aqui, com vocês, minha opinião sobre o assunto.

Nunca sei ao certo o que dizer sobre “atualidade”. Na minha opinião, a tendência, aquilo que está “na moda”, é o que costumamos definir por atualidade. E ela é cíclica e autofágica, pois se alimenta de si mesma.

Sempre que penso sobre isso, a imagem que me vem a mente é a de um imenso cardume de peixes nadando em círculos. Daqueles que costumamos ver nos documentários da NatGeo ou do Discovery. Eles nadam, nadam e sempre voltam ao mesmo lugar. Quando um deles vê algo novo ou pressente o perigo se aproximando, muda de rumo. O resto do cardume, mesmo sem saber exatamente o motivo, acaba seguindo. Acho que o instinto de sobrevivência acaba falando mais alto.

O bom design, aquele que realmente vale a pena cultuar e deve ser reverenciado, este é atemporal. Foi e sempre será bom, independentemente da época e da tendência atual. Sérgio Rodrigues criou a poltrona Mole em 1957 e o projeto ainda é atual. Van Der Rohe e a Barcelona estão em alta desde 1929. Niemeyer está aí, insistentemente, até hoje.

O ponto onde quero chegar é o seguinte: para se perpetuar, para ficar na memória das pessoas, é preciso ser arrojado, diferente e ter consistência. Muita consistência. Se for para nadar com o cardume, que seja na frente.

Todos bebem da mesma fonte

 

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A comprovação máxima de que todos acabam saciando sua sede por novidades nos mesmos lugares é esta imagem acima. Só hoje eu a encontrei em quatro sites diferentes. Sites bons, legais, gringos, que servem de pesquisa para milhares (ou seriam milhões?) de criativos espalhados pelo mundo.

Aí é que começa a minha preocupação. Se todos bebem na mesma fonte, quais são as probabilidades de que idéias semelhantes nasçam a partir daí? Eu diria que são grandes. Muito grandes.

Não me espantaria nada se daqui a uns quinze dias eu abrisse um portal de propaganda e desse de cara com um anúncio que tivesse algum tipo de vínculo com esta peça. E depois outro. E outro… Talvez sejam assim que nascam as tão famosas e temidas “coincidências” ou “convergências criativas”. Ou não?